O maior desafio: Saber parar/desconectar

Quando se começa a trabalhar como freelancer, um dos maiores desafios é possivelmente aprender a parar. É preciso aprender a parar de trabalhar. Saber parar de ir ao email – e de responder. Saber parar de pensar em trabalho. E no cliente. E nas tarefas do dia seguinte. E nas que foram feitas durante o dia. Por outras palavras: desconectar!

Eu sei que há a ideia de que quem trabalha em casa simplesmente não trabalha. Isso e que passa o dia de pijama, a ver Netflix. E se são nómadas digitais, ainda pior, pois é gente que só viaja e trabalhar não é com eles. No fundo, é gente que dorme até à uma, mas nada faz.

Pois bem, fica o desafio: apresentem-me um freelancer que nada faça e que se sustente sem trabalhar.

A menos que seja herdeiro, mas nesse caso é, mais do que tudo, um sortudo!

Durante anos, trabalhei com contrato certinho, das 9h00 às seis – e, sim, eu era dessas que fazia mesmo e apenas oito horas de trabalho. Depois, ia à minha vida. O meu maior medo nunca foi deixar a rotina, mas sim o de perder aquele dinheirinho certo ao fim do mês – sim, sou também dessas que trabalha por dinheiro!

A ideia de começar a trabalhar como freelancer assustava-me precisamente por causa da instabilidade financeira. Além disso, horror dos horrores, como iria eu conseguir clientes?! Logo eu que nem sou capaz de pedir de volta o dinheiro que empresto?!

Contudo, um dos maiores desafios que senti quando comecei a trabalhar como freelancer e, posteriormente, como nómada digital, foi aprender a parar. Nos primeiros meses, dava por mim a responder a emails à meia-noite ou a chegar tarde a compromissos pessoais, porque estava a trabalhar.

Dizer NÃO

A par disso, também tive de aceitar que nem todo o trabalho é bom trabalho e, com isso, dizer não mais vezes. “Não”, eu não faço isso. “Não”, isso não está incluído no preço. “Não”, não faço hoje, fica para amanhã. E até “não”, acho melhor não trabalharmos mais juntos.

Há quase dois anos como nómada digital e, até hoje, nunca passei um dia totalmente desconcertada e sem ir ao email. Aliás, recordo-me sempre que no ano passado, quando fui fazer o caminho de Kumano Kodo no Japão (uma espécie de Caminho de Santiago nipónico) e de avisar toooooddos os meus clientes que por quatro dias estaria sem acesso à Internet (até porque lá, nas montanhas, não há internet). Moral da história, acabei a fazer anúncios de Facebook, à chuva e encostada a uma paragem de autocarro, onde conseguia apanhar um pouco de internet. Como vêm, também eu, ainda tenho um loooongo caminho a percorrer nesta coisa do “saber parar”!

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