Nomadismo Digital: Como tudo começou

Quando trabalhava em Madrid, sempre fui daquelas que mal o ano começava, olhava para os feriados e marcava uma viagem grande para as férias. A ideia era conseguir o máximo de dias de férias, gastando o menor número de dias possíveis.

A verdade, é que sou francamente feliz em viagem. Obviamente que toda a gente sente o mesmo, mas no meu caso, sinto mesmo que essa felicidade faz de mim uma pessoa mais decente – ou talvez seja vice-versa. Dou por mim a acordar cedo e feliz, a ser mais activa e até a ter mais paciência (coisa que não abunda muito na minha pessoa, admito!).

Também por isso, já em férias, dava por mim a pensar no bom que seria fazê-lo com mais frequência ou até para sempre: viver assim. Contudo, na altura parecia-me sempre impossível. E o trabalho? E os horários e as reuniões? Como poderia coordenar tudo isto? Tudo isto me afligia, até que me caiu a ficha! Na verdade, eu já tinha um trabalho que me permitiria fazê-lo. Estar no in loco, não era nem imperativo para mim, nem para os meus resultados ou eficiência. Todavia, excepto pontualmente, o trabalho remoto não fazia parte da política da empresa onde estava.

O efeito claque

Mais tarde, fui trabalhar para Berlim e comecei a encarar as coisas de forma diferente. E nem tanto pela empresa, mas mais por mim. Começou a ser cada vez mais claro que a (minha) vida não tinha de se limitar a uma rotina das 9h00 às 18h00. Assim sendo, a ideia de mudar de vida e começar a trabalhar como nómada digital foi ganhando forma. 

No meu caso, a fantasia foi vivida a dois, já que também o meu namorado andava a namorar a ideia.

Pessoalmente, não considero que ter um parceiro seja essencial para começar como nómada digital, contudo é uma motivação extra. Chamemos-lhe o “efeito claque”, que implica não só ter alguém que nos compreende, pois está a viver o mesmo, mas que também exige satisfações e, claro, nos vai animando ao longo do percurso. Juntos começámos a traçar metas e a criar objectivos, tornando o projecto de nos tornarmos nómadas digitais uma realidade.

Só sei que chegou uma altura em que definimos que “a partir de setembro começamos a procurar trabalho como freelancer”. Seis meses depois, estávamos a deixar Berlim, de mochila às costas. Quando começámos, ficou estipulado que faríamos ano de viagem pela Ásia, ao espirito do “vamos la ver como isto corre”.

A verdade é que tem corrido bem, bem melhor do que alguma vez esperava. E quando digo que está a correr bem, não falo apenas das viagens. Falo também do trabalho, da angariação e relação com os clientes, assim como da execução do trabalho.

Ano meio e desde aí, andámos agora pela América do Sul – de momento, estamos no Brasil. E, pelo menos para já, é para continuar!