A melhor parte de ser nómada digital

No outro dia, perguntavam-me qual era a melhor parte de ser nómada digital. Mas tinha de ser a melhor, a melhor das melhores, a número um da coisa!

Ora, nesta fase da minha vida, acho tudo muito espectacular e apenas a burocracia da coisa é que me tira o sono e me dá algumas sincopes. Sinceramente, só tenho pena de não ter dado o passo há mais anos.

Coisas boas

Para começar adoro a flexibilidade de puder trabalhar em qualquer lado. Desde que comecei como nómada digital, já passei por vários destinos na Europa, seja para passar mais tempo com a família e amigos, seja para conhecer novos. Também andei pela Ásia e pela América do Sul. Afinal, havendo internet, tudo se faz – tudo mesmo.

Também gosto de ter a sensação de que sou eu quem controla os meus horários. Digo “sensação”, porque embora me possa organizar como queira, também tenho horários a cumprir. Ou seja, também eu tenho prazos e trabalho para entregar. Contudo, o facto de ser eu quem coordena tudo, permite-me fazer uma melhor gestão do meu tempo. Ou seja, posso escolher quando trabalhar, assim como optar pelos momentos em que sinto que sou mais produtiva e ainda coordenar os meus horários com outras actividades – o que acaba por ser mais estimulante e até encorajador na hora de trabalhar.

Contudo, para mim, a melhor parte passa por nos vermos livres do stress, problemas e intrigas do escritório – isso, e também de muitas “reuniões essenciais”.

Problemas de escritório

Não me entendam mal pois, mesmo que nuns sítios mais do que noutros (de um modo geral), sempre fui feliz nas empresas por onde passei – seja em Lisboa, Madrid ou Berlim. Em muitos sítios, fiz amizades que ainda hoje perduram e sempre saí bem e recomendada.

Ainda assim, é um facto: a vida de escritório consome. Desgasta.

Quantas vezes não ouvimos familiares, amigos e colegas a queixarem-se não do trabalho em si, mas do resto? Do ambiente? Da gestão? Dos métodos e regras impostos? Seja porque o dono da empresa que não percebe, porque o chefe que é incapaz e/ou porque os colegas que não fazem, há sempre problemas!

Este tipo de mal-estar, muitas vezes converte-se em intriga (ou intrigas) ou em pequenas conspirações, nas quais todos, independentemente do posto ou hierarquia, gastam demasiado tempo e energia… e, quase sempre, para e por nada! E com isso, começa a vir o stress acumulado, a ansiedade, o desgaste, etc.

Obviamente que um freelancer, assim como um nómada digital é também afectado por isso. Afinal, mesmo há distância, também nós trabalhamos com (e para) os outros. Contudo, graças à distância, estamos longe deste lado mais tóxico. Ou seja: mexe-nos menos com os nervos e, consequentemente, acabamos por nos envolver menos. Outra vantagem da distância é que nos dá perspectiva e faz-nos ver com estes problemas são tantas vezes secundários e até resultado de “não ter nada melhor para fazer”. Tal significa menos sentimentos negativos relativos ao “ter de trabalhar” e até mais alegria, enquanto se trabalha.

Se por um lado, o stress baixa; por outro, a produtividade e satisfação, com a vida e com o trabalho, aumentam – há lá melhor?

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